sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AUTOPSIA DO TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE AVES: UM PONTO PARA REFLEXÃO


Valendo-me da ideia do amigo Francisco Muñoz de Escalona, que escreveu o livro Autopsia Del Turismo (2004), utilizaremos a palavra autopsia para analisar o turismo de observação de aves, pois o termo indica um “exame minucioso realizado por especialista qualificado”.

De acordo com a Lei Geral do Turismo (2008), a meu ver o único documento que “define” o que é turismo por se tratar de uma Lei Nacional, ou seja, um documento oficial, “considera-se turismo as atividades realizadas por pessoas físicas durante viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período inferior a 1 (um) ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras”.

Iniciaremos a autopsia procurando compreender o que nos diz esta definição. Quando trata das “atividades realizadas”, entende-se que existe algo sendo desejado pelas “pessoas físicas” quando realizam suas viagens, bem como que existe uma oferta destas atividades no local onde eles visitam. Aqui começamos a perceber uma relação de mercado que se desenvolve no turismo, já que existe oferta e procura o que também indica a necessidade da existência de uma cadeia produtiva dentro desse setor econômico trabalhando em prol de suprir as necessidades e desejos dos visitantes.

Quando se fala “viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual”, nos indica a existência de um deslocamento dentro de um espaço geográfico o qual não é delimitado por uma distância mínima ou máxima, o que nos faz pensar que é possível um brasileiro estar fazendo turismo visitando a China ou o bairro vizinho ao seu que não tenha o costume de ir. Entretanto, no que diz respeito ao período de tempo da visita, é a única coisa que é delimitada no documento, indicando que se passar de um ano, já não é mais turista, acredito que seja pelo entendimento de que, após um ano o visitante já tenha se habituado ao entorno.

A finalidade da viagem também fica ampliada nesta definição, pois o visitante pode estar no local a lazer, negócios ou suprindo outras necessidades que tiver, assim é possível entender que se a pessoa se afastar de seu entorno habitual por qualquer motivo esta fazendo turismo.

Vencida esta etapa, vamos dissecar agora a observação de aves. Algumas pessoas já tratam como um segmento do turismo e outras como uma modalidade do segmento de ecoturismo. Salvo melhores entendimentos, pelas suas características, acredito tratar-se de um segmento emergente que vem ganhando força no Brasil a cada dia. Exemplo disto é o número de adeptos sempre crescente no Brasil, como se pode constatar em um dos principais portais que reúne estes amantes das aves, o WikiAves (www.wikiaves.com.br), que de acordo com dados oficiais em 2015 o site fechou o ano com 22.855 usuários, em 2016 esse número subiu para 25.816, aproximadamente 12% de aumento de um ano para o outro. Vale ressaltar que em 2009 o site tinha pouco mais de 2.300 usuários.

A motivação destas pessoas são as, aproximadamente, 1.900 espécies catalogadas no Brasil e as mais de 10.000 no mundo, sem contar as que ainda não foram registradas. Frequentemente é possível ver através das redes sociais, ambiente mais utilizado pela maioria dos observadores nacionais para postarem suas fotos que expressam as verdadeiras conquistas que têm nesta pratica ou hobby, como quiser chamar, bem como os relatos de viagens e aventuras que são realizadas em busca, muitas vezes de uma única espécie.

Para isso, não importa o tempo, o custo e a dificuldade, muitas vezes é preciso vencer-se para ter alguns instantes de satisfação contemplando uma espécie pela primeira vez e seu habitat natural.

Se fossemos nos atrever em conceituar “Turismo de Observação de Aves”, e fazendo uma analogia ao conceito empregado na Lei, poderíamos dizer que se trata, grosso modo, das “atividades realizadas por pessoas durante viagens a lugares diferentes do seu entorno habitual com finalidade de observar aves”. Esta é somente uma brincadeira com a definição de turismo da Lei Geral do Turismo, porém, que retrata com segurança o que realmente é esse segmento do turismo.

Para que ele exista é preciso existir toda uma infraestrutura voltada para atender o observador e suas peculiaridades, ou seja, um setor econômico ofertando as atividades, que chamamos de produtos, para atender as necessidades dos turistas, que chamamos de observadores. A relação de mercado existe neste setor mesmo sendo ele incipiente em um destino, a partir do momento que se alguém quer observar as aves lá existentes e precisa de se deslocar, hospedar-se, ser guiado, alimentar-se, descansar, hidratar-se, dentre outras coisas.

Desta forma se torna imprescindível conhecer as características do observador, que em certos aspectos, diferem de um turista convencional. Uma característica é que o observador quase sempre viaja com um grupo não muito grande de pessoas, amigos ou parentes que comungam de um mesmo objetivo. Outra é que as aves tem seu período de maior atividade no inicio da manhã e final da tarde, assim, o observador acorda cedo, de madrugada, para poder estar no local de observação no momento em que as aves estiverem alvoroçadas, que é nos primeiros raios de Sol do dia.

Assim, os meios de hospedagens que se dedicarem a atender esse público, deverão ter horários de café da manhã diferenciados para que seu cliente não tenha de se valar de outros serviços de alimentação que podem aumentar o custo de sua estada. No que diz respeito ao transporte no local, muitas vezes precisam de veículos apropriados para realizarem seu objetivo, como carros traçados, e com um bom bagageiro, pois viajam com uma quantidade considerável de equipamentos, barcos com motores elétricos por conta do ruído do motor convencional que espanta as aves, dentre outros.

Dentre os serviços, precisam de pessoas que sejam guias de observação de aves, que estejam disponíveis para atendê-los a qualquer hora do dia ou da noite, pois existem aves de habito noturno, que conheçam as aves do local, saiba onde encontrá-las, tenham postura profissional e transmitam segurança aos seus clientes.

No Brasil esta acontecendo uma preparação em todos os estado para atender esse público crescente e essa preparação deve primar por alguns princípios como qualidade de serviço, segurança, fidelidade na oferta e encantamento da demanda. Entende-se hoje que é preciso antes de tudo planejar, organizar e estrutura o setor de turismo local para que toda cadeia produtiva trabalhe com o objetivo de consolidar essa atividade e colocá-la no mesmo patamar dos demais segmentos já existentes no destino, oferecendo produtos de qualidade que irão suprir as expectativas dos observadores e fidelizá-los. É preciso garantir que o observador ao chegar ao destino encontrará uma gama de serviços e equipamentos capazes de atendê-lo com excelência e de garantir sua satisfação.

Hoje existem agências, hotéis e pessoas no Brasil que trabalham com foco nesse segmento, entretanto ainda são poucos mas estão crescendo em número e qualidade. É preciso um tanto de trabalho para organizar e estruturar toda a cadeia produtiva do turismo local para esse objetivo em comum e oferecer produtos e serviços de qualidade que façam o destino merecer o reconhecimento dos observadores de aves.




sexta-feira, 20 de outubro de 2017

UIRAPURU-LARANJA – A ODISSEIA PARA REGISTRÁ-LO

O Uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda) é uma ave das mais bonitas que eu já vi até o momento. O macho da espécie reúne cores vibrantes de laranja e amarelo-ouro que contrastam com o preto das asas e cauda e as pequenas manchas brancas na asa e base da cauda. Os olhos são bem redondos de uma cor branco-amarelada bem clara e viva que dá um destaque a eles.

A fêmea por sua vez possui o mesmo tipo de olho, porém em sua plumagem predomina a cor amarela, sendo amarelo-ouro mais claro no uropígio, ventre, peito e garganta e um amarelo esverdeado mais escuro no dorso, asas, cabeça e cauda.


Minha história com esta espécie é de bastante perseguição, é claro que neste caso eu fui o perseguidor e o Uirapuru me deixando com um gostinho amargo na boca, aquele que nos remete a mensagem de “fica para próxima oportunidade”. Eu já havia avistado o mocho, porém, o que eu sempre quis foi fazer um belo registro desta espécie para minha coleção de fotos de aves.

A primeira vez que vi a espécie foi em Corguinho/MS, fomos convidados pelo amigo Roberto Kelsson para passarinhar com ele na Fazenda Anhuma, de propriedade de seu avô. Fomos eu, Roberto e o Guilherme Carlucci, viajamos aproximadamente 100 km para chegar ao local e foi uma ótima passarinhada em boa companhia.
Guilherme, Roberto e Eu

Chegamos lá e fomos direto para a mata ciliar e o Roberto colocou o playback da ave e logo ele respondeu, havia dois machos que ficavam indo e voltando entre duas árvores, o principal detalhe era que pousavam bem em nossa frente em galhos sem muita folhagem para atrapalhar o registro. Não haveria problema algum para o registro, a não ser a minha máquina superzoom, de aproximação óptica de 35x, só que a danada não deu conta de focar a ave, ou seja, eles foram embora e eu não consegui tirar nenhuma foto da ave para registrá-la. Isso aconteceu em 2013. 

Neste mesmo ano fomos novamente ao local, mas agora estávamos bando, me lembro do Marco Antônio Lemos, Carlos Iracy, Guilherme, Francisco Neto, Roberto e eu. O uirapuru apareceu novamente, bem escondido nas folhagens e por somente alguns minutos e tive o mesmo problema, a máquina não conseguiu fazer o foco. Novamente voltei pra casa sem o registro desta belíssima espécie.

Passou algum tempo, já em 2014, fomos passarinhar em Terenos/MS. Antes de chegar ao local, ainda no município de Campo Grande, ouvimos o chamado do Uirapuru-laranja e ele- apareceu novamente, um casal, mas foram tão rápidos nas trocas de galhos que eu não consegui registrar também, ai já não foi o problema da máquina não fazer o foco, já estava com um equipamento melhor e mais moderno, mas acredito que o problema foi à lentidão do operador do botão do obturador.

Fui ao local novamente pelo menos umas 10 vezes, com playback e disposição e nada dele dar o ar da graça, então um belo dia apareceu à fêmea, fiz a foto mais não ficou muito boa, pois o local estava escuro e já era tarde, com pouca luz solar. Isso já foi em 2014, 2015 e 2016.



Contentei-me com a foto da fêmea para registro da espécie, porém, a beleza do macho ainda me incentivava a busca-lo para fazer seu registro. Noutra oportunidade, já em 2017, estávamos em três pessoas, Celso Almeida, Marco Antônio Lemos e eu. Fomos até o local onde o Marco havia avistado e registrado o macho. Chamamos por alguns minutos e logo apareceu muito arisca a fêmea estava magnífica, registramos, porém, nada do machinho aparecer.

Apareceu outra oportunidade durante ao feriado de 12 de outubro agora em 2017, aqui no Mato Grosso do Sul é uma feriado prolongado devido ao fato de dia 11 marcar a “Divisão do Estado” do antigo Mato Grosso, passando a ser Mato Grosso, ao norte e, Mato Grosso do Sul, ao sul do país. Fui sozinho neste dia e cheguei ao mesmo local aonde vimos à fêmea, coloquei o Playback e nada, na volta pela trilha, meu celular caiu do bolso e eu não percebi, ou seja, prejuízo! Mais são coisas que é sujeito acontecer quando estamos na natureza em busca de ver seus encantos.

Então, ainda durante o período deste feriadão de outubro, no dia 14, fomos Michel Machado, Fabyano Costa e eu. O Fabyano me disse que iria me apresentar o “Bira”, nome que ele deu ao macho que mora ali na região. Seguimos no mesmo local, porém em uma trilha diferente, ele colocou o playback uma vez e o Bira veio e ficou em nossa frente, ai meu amigo, eu consegui meu tão sonhado registro.






Observar aves é isso, requer paciência e perseverança, algo como pescar, a diferença é que em algumas pescarias não se pega nenhum peixe, na observação de aves ao menos um Canarinho você registra. Mas pescar também é muito bom para quem gosta!


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Passarinhando no Pantanal do Aquidauana!



Fui convidado para pescar, outra prática que gosto muito, no Rio Aquidauana já na região do Pantanal.  A viagem até o local foi bem legal, estradas boas e a beleza cênica do Pantanal alegrando nossos olhos a cada momento.

Algumas surpresas se apresentavam a cada instante como os cervos, porcos, catetos e queixadas. Também havia a possibilidade do encontro com as onças e outros felinos que, pelas histórias que ouvimos dos moradores locais, também são presença constante no local, onde se alimentam, dentre outras iguarias, do gado das fazendas.

As onças não apareceram somente suas pegadas em volta de uma lagoa onde esteve caçando uma das noites, porém, as aves no local são abundantes e diversificadas. Jacutingas, papagaios, periquitos, maracanãs, martins-pescadores, biguá, biguatinga, araras vermelhas e azuis, arancuã, talha-mar, trinta-réis, maçaricos, batuíras, joaninha, cardeal, gaviões, garças, tuiuiú, cabeça-seca, dentre outros pássaros e aves que nos brindavam com sua presença constante no Rio Aquidauana.

Subimos e descemos o rio de barco e a todo o momento, nas margens e também nas árvores foi possível notar as aves em movimento, fazendo ninhos, outras com os ninhos já prontos e os filhotes já se desenvolvendo, outras cruzando o rio em voo em nossa frente, bandos de psitacídeos fazendo revoadas e algazarra por todo lado, o som infindável da vocalização das arancuãs, destacadas no cultural do homem pantaneiro como o “despertador do pantanal”.

Venha passarinhar no Pantanal Sul-Mato-Grossense e, com certeza, também irá se encantar com essa natureza fantástica deste Bioma que se encontra em constante movimento cíclico de cheia (outubro a março), vazante (abril a junho) e seca (julho a setembro). Em cada uma destas etapas, o Pantanal se apresenta de uma forma e a fauna se comportamentos ligados a elas.


Vejam algumas aves que vi no Pantanal do Aquidauana:

 
    Tuiuiú                                                                     Pica-pau-loro
 
    Martim-pescador-pequeno                                 Casaca-de-couro-amarelo
 
    Jacutinga-de-garganta-azul                                         Gavião-preto
 
   Maçarico-grande-de-pernas-amarelas                                    Maçarico-de-sobre-branco
 
    Aratinga-de-testa-azul                                            Iraúna-grande
 
    Asa-de-telha                                                           Talha-mar
     
    Batuíra-de-esporão                                                   Joaninha                     

    
Vejam alguns animais vi no Pantanal do Aquidauana:

 

 



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Algumas aves que frequentam rios e lagoas do Pantanal Sul-Mato-Grossense!!

BIGUA:

MAÇARICO-GRANDE-DE-PERNAS-AMARELA: 

MAÇARICO-DE-SOBRE-BRANCO: 

TALHA-MAR: 






BATUÍRA-DE-ESPORÃO: 

 

MARTIM-PESCADOR-PEQUENO:


MARTIM-PESCADOR-GRANDE: 

TAPICURU-DE-CARA-PELADA: