quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

EXPEDIÇÃO CAMPO GRANDE/MS A RIO NEGRO/MS


Nosso amigo passarinheiro Renato Sproesser tomou uma bela iniciativa e criou um grupo no MSN do Facebook e laçou uma proposta de sairmos de Campo Grande/MS rumo ao município de Rio Negro/MS passarinhado pelo caminho. No grupo estávamos, além do Renato, o Carlão, Marco Antônio, Marcio, Fabyano e eu.  De pronto todos os “agrupados” por ele aceitaram e começamos a organizar os detalhes da nossa expedição. A primeira tratativa foram as possíveis datas para tão importante acontecimento.
Chegamos ao consenso de que o dia 28 de novembro de 2015 seria ideal, pois todos estaríamos livres e o que é o mais importante para um passarinheiro, com os “alvarás” expedidos pelas respectivas esposas para tal acontecimento.
É importante explicar melhor essa coisa de alvará. No meu caso, minha esposa não gosta de observar aves, ou melhor, não gosta de mato, floresta, dentre outros. Seu perfil é mais para visitações “turísticas urbanas”. Assim sendo, ela não é passarinheira e não possui a propensão e a disposição que nos são características para observar as aves.
Entretanto ela por saber que eu gosto desse movimento, pois é um momento em que eu entro em contato com a natureza e isso além de me relaxar, abrandar o stress do dia a dia, equilibrar e centrar, ela me concede o alvará para ir passarinha com os amigos ou sozinho.
É claro que é preciso primeiro plantar para depois colher, ou seja, você deve realizar algumas ações prévias para facilitar o processo conquista do alvará como lavar a louça sem ela pedir, fazer elogios constantes e verdadeiros, ouvir o que ela tem para diz no final do dia quando você chega do serviço, mesmo que casado e, é claro, sem emitir nenhuma opinião só mencionando ao final que ela tem razão. Vale lembrar que muitas vezes nestes alvarás está implícita a hora de retorno da passarinhada e não devemos ousar ignorar essa clausula, pois ela é importantíssima para você solicitar outro no futuro.
Brincadeiras a parte, porém como diz o velho jargão, toda brincadeira tem um fundo de verdade, vamos ao que interessa: a expedição. Foram inúmeras tratativas, cada um com uma função pré-definida na passarinhada, o Renato e Marcos seriam os motoristas, o Marcio e eu seriamos os “playbackmans”, o Fabyano o avistado “olhos de lince” para encontrar os pássaros no trajeto e o Carlão que levaria o Tereré e o serviria a todos.
A primeira preocupação que apareceu durante a fase de organização foi à previsão climatológica para data que indicava chuva, porém, como só quem sabe do clima é Deus, a previsão mudou de uma hora para outra e isso nos animou para iramos atrás dos lifers. Lá pelas tantas o Carlão informou em nosso grupo que havia perdido o alvará, isso bem próximo da data marcada. Disse que não poderia mais participar da jornada por problemas pessoais, como ele é avô, precisaria levar o neto em um acampamento de Escoteiro, muito louvável por sinal essa justificativa.
Entretanto, como a vontade de passarinhar era tamanha, o Carlão intercedeu ao Santo protetor dos passarinheiros, acredito que seja o São Francisco, por que é único que vejo repleto de bichos e aves em sua imagem, e ele atendeu. A Dona Lilian, como ele mesmo fala, liberou novamente o alvará e ele foi conosco. Graças ao Santo tivemos o Tereré, água gelada e a boa prosa do amigo em nossa expedição.
Marcamos os locais de encontro e tudo ocorreu dentro dos conformes, porém, o despertador do Marco Antonio, não tocou e ele atrasou. Nada que freasse a equipe, pois o Marco falou vão na frente que encontro vocês no caminho. Assim, saímos às seis horas da manhã de Campo Grande, os cinco marmanjos dentro de um carro, nem precisa dizer que estava apertado para quem foi atrás. Nestas horas é vantagem estar um pouco acima do peso, te colocam em consenso no banco da frente ai você pode apreciar melhor a paisagem.
Logo há uns 20 km fizemos nossa primeira parada, o Fabyano “Olhos de Lince”, avistou um João-de-Pau em uma lagoa a beira da estrada e paramos para observá-lo. Nisso apareceu também um Pica-pau-de-banda-branca, um Socozinho, um Caburé, além de Tucano e um casal de Arara-canindé.  Seguimos viagem, porém, sempre atentos para chegada do Marco Antônio e é claro que os mais interessados eram os que estavam apertados no banco de trás.
Seguimos e logo um carro semelhante ao do Marco Antônio nos ultrapassou andando bem depressa, pensamos em dar sinal, entretanto não deu para ver se era ele e, pelo adiantado da hora, achávamos que ele já havia desistido.
Mais a frente na beira da estrada havia um brejo imenso e nosso parceiro “Olhos de Lince” gritou: Curióóóóó, não sei como, mais o Fabyano viu aquele bichinho pequeno, cantando encima de uma palmeira com o carro em movimento.
Paramos e fomos logo registrá-lo, o bicho foi muito camarada, ficou cantando a poucos metros de nós e nos permitiu fazer ótimas imagens e até registrar sua vocalização. Havia também uma fêmea, ouvimos o conto do Caboclinho e eu consegui um lifer fazendo o registro da fêmea do Beija-flor-de-bico-curvo.
A próxima cidade, Corguinho/MS, ainda estava há uns 70 km de onde estávamos e nós sem noção nenhuma de tempo, pois o local estava fantástico, além dos registros já mencionados, ainda havia a Freirinha, Periquito-rei, Chopim-do-brejo, Garça-branca-grande, dentre outras espécies. Lá pelas tantas eu estava junto com o Carlão procurando o Caboclinho, toca o meu celular e era o Marco Antonio perguntando onde nós estávamos. Disse a ele que estávamos há uns 30 km de Campo Grande e ele me disse eu já estou esperando vocês há um tempo aqui em Corguinho.
Avisei os demais e seguimos viagem para encontrá-lo e assim poder acabar com o sofrimento dos apertados do banco de trás. Chegando lá o encontramos e dividimos a equipe em duas, ficando o Renato, Carlão e eu num carro e o Marco, Fabyano e Marcio noutro.
Entramos numa estrada de terra onde havia uma trilha chamada Trilha do Pescador, onde já haviam registros de espécies interessantes como o Uirapuru-laranja, a qual eu já tive a satisfação de vê-lo em minha frente e não consegui registrar por conta do foco lento da máquina superzoom.
Paramos na estrada para ver um Acauã que carregava no bico uma cobra, pois não foi possível registrar, pois outras aves sentindo sua presença em um galho, possivelmente próximo a algum ninho, investiram nele e o espantaram.
Logo apareceu uma espécie que eu ainda não havia observado a Perdiz, que cruzou a estrada nos permitindo registrá-la. Nesse local também fizemos outros registros como o Pula-pula, Martim-pescador-pequeno, Japacanim, Sebinho-de-olho-de-ouro. Avistamos também o Anu-coroca, o Rabo-branco-acanelado e ouvimos a Juriti-gemedeira.
O Uirapuru-laranja não apareceu. Seguimos viagem rumo a Rio Negro e logo chegamos a um local onde o Fabyano avistou um Gavião-caboclo, próximo a uma ponte sobre um riozinho. Registramos o gavião e resolvemos explorar a margem do rio onde registramos o Sabiá-gongá, Soldadinho, Alma-de-gato e a Choca-barrada.
Chegamos a Rio Negro como combinado na hora do almoço e fomos procurar um restaurante. A cidade fica 12 km antes da entrada da BR 419, nossa transpantaneira que liga este município à Aquidauana, passando pelo Pantanal do Rio Negro e Nhecolândia. Almoçamos no único restaurante da cidade que fica num hotel com uma comida caseira muito gostosa. O melhor é que o local ainda aceitava cartão de crédito e débito.
O calor estava insuportável, porém, bravamente seguimos em frente, pois decidimos chegar até a BR 419 e andar um pouco nela, o ideal era se chegássemos até o Corixão, porém, o local distava aproximadamente uns 50 km de onde estávamos.
Andamos uns 5 km e paramos próximo a um alagado onde registramos o bentevizinho-de-asa-ferruginea. Neste momento o tempo virou abruptamente e começou a trovoada, entramos no carro de seguimos caminho de volta para Campo Grande. Decidimos parar novamente no local do Curió, porém até chegarmos lá à chuva caiu bonito, derrubando até granizo.
Mais uma vez o Santo entrou em ação e no local do Curió só tinha uma garoa fina e o bichinho ainda tava lá e disposto a colaborar conosco. Eu que havia lido um artigo do saudoso fotógrafo de natureza Luiz Claudio Marigo onde ele ensinava seu truque proteger o equipamento para fotografar em dias chuvosos, levei um plástico e encapei a câmera o que me possibilitou fazer alguns registros como o Coleiro-do-brejo, Irerê e o Beija-flor-tesoura.

Ali nós tomamos Tereré, conversamos um pouco e logo nos despedimos, pois estávamos a pouco mais de 30 km de Campo Grande e final da tarde chegava. Estávamos certos de ter vivido uma experiência prazerosa e de ter dado boas risadas com os amigos pelo percurso. Foram aproximadamente 85 espécies avistadas durante o percurso.


                 PERDIZ                                               BEIJA-FLOR-DE-BICO-CURVO
Rhynchotus rufescens                                              Polytmus guainumbi

 
       GAVIÃO-CABOCLO                                         GAVIÃO-DE-RABO-BRANCO
 Heterospizias meridionalis                                        Geranoaetus albicaudatus

 
                 ALMA-DE-GATO                                     BENTEVIZINHO-DE-ASA-FERRUGÍNEA
     Piaya cayana                                                 Myiozetetes cayanensis

SEBINHO-DE-OLHO-DE-OURO 
Hemitriccus margaritaceiventer