segunda-feira, 12 de outubro de 2015

PASSARINHANDO NO PARQUE ESTADUAL MATAS DO SEGREDO

 
Na imagem: Carlos Iracy Coelho Netto (Boné creme), Prof. Rudi Laps e a frente de gandola camuflada Fabyano Costa.

No sábado, dia 10 de outubro de 2015, saímos para passarinhar a convite do Guia de Turismo Hiroya Hattori, no Parque Estadual Matas do Segredo-PEMS, um Parque que, assim como o Parque Estadual do Prosa, está localizado na área urbana do município de Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Por conta do clima frio e a garoa poucas pessoas apareceram para o evento, porém, foi muito legal a participação dos amigos Fabyano Costa, Nina Wenóli, Prof. Rudi Laps, Carlos Iracy Coelho Netto, Hiroya e eu.

O local é bem interessante, como mais de 170 hectares de Cerrado e Cerradão bem conservados, no local se encontra a nascente do Córrego Segredo que, assim como o Córrego Prosa é um dos importantes ícones da história da fundação do município de Campo Grande, pois foi na confluência destes dois córregos que o mineiro José Antonio Pereira, ao desbravar o sul da província de Mato Grosso, fixou sua moradia de onde originou a cidade que, com a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, tornou-se a sua Capital.

Por mais que vivo em Campo Grande a mais de 20 anos eu ainda não tinha visitado o PEMS. Fiquei muito feliz ao ver toda infraestrutura que o parque possui, com receptivo novo com banheiros, auditórios, equipamentos, estacionamento coberto, dentre outras coisas importantes para o conforto dos visitantes.

Chegamos ao parque bem cedo, então fomos recebidos pelo Agente Patrimonial que foi muito gentil e prestativo e nos pediu para assinarmos o livro de visitação. Seguimos para a área de conservação e logo de chegada fomos recebidos por tizius (Volatinia jacarina) e um casal de Trinca-ferro-verdadeiro (Saltator similis). Uma revoada de Tezourinha (Tyrannus savana), mais de 10 indivíduos em um bando cortaram o céu em busca dos insetos alados que estavam voando aos milhares por conta da chuva, ou seja, um banquete e tanto para aqueles tiranídeos.

Logo quando entramos na trilha mais fechada, com árvores altas típicas de Cerradão, bem fechada e repleta de uma variedade de cipós, o Fabyano, com seu olho aguçado para o movimento das aves, avistou um casal de Choca-do-planalto (Thamnophilus pelzelni), ficamos um tempo observando aquelas aves e fizemos alguns registros. O tempo chuvoso diminui consideravelmente a luminosidade, o que prejudicou um pouco as imagens, porém, os registros ficaram bem legais.

CHOCA-DO-PLANALTO (Thamnophilus pelzelni)

Enquanto estávamos observando um Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que estava dormindo próximo a trilha e quando sentiu nossa presença se embrenhou para dentro da mata, nosso Guia Hiroya, com seu ouvido aguçado, chamour nossa atenção para a presença de um Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus) que estava cantando próximo a borda da trilha, esse foi um dos pontos altos da nossa passarinhada, pois esta ave é bem difícil de ser avistada pelo fato de gostar de ficar em vegetação densa o que dificulta a observação, porém, eu procurei e a encontrei pousada a pouco mais de três metros de onde estávamos, foi possível o registro fotográfico e também sonoro. O mais importante é que ficou nítido pelas vocalizações que haviam mais de um no local e por duas vezes um indivíduo passou voando por cima de onde estávamos, bem próximo de nossas cabeças.

PEIXE-FRITO-PAVONINO (Dromococcyx pavoninus)

Outra presença constante foi a do Jaó (Crypturellus undulatus), o bicho mais fantasmagórico da mata, pois estava por todos os lados e só ouvíamos seu canto que parece com “eu sou jaóóó”. Infelizmente ele não foi sociável e não apareceu para ser fotografado.

Seguindo a trilha e se aproximando dos cursos d’água, foi a vez dos Soldadinhos (Antilophia galeata) aparecerem e fazerem algazarra. Só avistamos fêmeas e um macho jovem, ainda com a plumagem verde com seu topete “avermelhando”.

Durante o percurso, além de aves, fiz registro de fungos, líquens, insetos e outros aspectos da vegetação local que é bem importante para ciência, visto que o Prof. Rudi Laps, professor e pesquisador do curso de mestrado em ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, parecia uma criança num Playground, maravilhado com o que via e nos dando verdadeiras aulas a respeito da fauna e da flora do local.  Um ponto alto destas aulas foi quando ele encontrou um besouro que, no meu entendimento das explicações dadas a respeito daquela espécie, se disfarça de formiga.

 

 


Pegadas, estrume, sementes, folhas e frutos tudo era motivo de pararmos e consultarmos nosso amigo Rudi, o Carlão disse que estava ficando com receio de ele cobrar uma diária de cada um de nós, pois, já estávamos aproveitando. Brincadeiras a parte, conforme fomos seguindo fomos nos deparando com algumas espécies de sabiás (Turdídeos), beija-flores, em especial o Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) e o Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), um casal da linda Saíra-beija-flor (Cyanerpes cyaneus), um casal de Pipira-preta (Tachyphonus rufus), dentre outras aves lindas e importantes sinalizadores da eficiência do parque no seu propósito de conservação.

Próximo de sair da trilha fecha apareceu um Pula-pula (Basileuterus culicivorus), com um comportamento bastante estranho, andando com as asas abertas, com pulinhos curtos pela serrapilheira, de inicio pensou se tratar de um jovem que tinha caído do ninho, porém a Nina e o Fabyano persistiram em fotografa-lo e vimos que se tratava de um indivíduo adulto. Logo mais na frente, já fora da trilha fechada e andando pela estrada de apoio do parque, apareceu outra espécie com o mesmo comportamento, um Canário-do-mato (Myiothlypis flaveola), esse eu registrei e também se tratava de um adulto. Logo avistamos um Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) pousado numa árvore próximo ao local, pensamos se tratar de que aquele comportamento estava relacionado à presença do predador, porém, não podemos afirmar nada.

CANÁRIO-DO-MATO (Myiothlypis flaveola) - Comportamento observado no Basileuterus culicivorus e neste Myiothlypis flaveola.

Seguindo na estrada, veio outro ponto alto da passarinhada, vimos de longe um casal que estava se alimentando de insetos voadores que eles pegavam no voo e voltavam para o mesmo poleiro. Podemos chegar bem próximo e um voou para dentro da mata e o outro ficou e posou para as fotos, se tratava de uma Guaracavuçu (Cnemotriccus fuscatus), para mim foi o lifer do dia, acredito que para outros ali também.

GUARACAVUÇU (Cnemotriccus fuscatus)

Chegando ao receptivo nos despedimos e ficou o gostinho de quero mais em todos nós, pois o parque é um local especial para observação de aves em Campo Grande. Fica dica para minha amiga, a competente e simpática, Ana Bergler, chefe do PEMS. Esta atividade está sendo utilizada por diversos parques nacionais como forma de captação de renda para a manutenção dos mesmos e a qualidade da avifauna do PEMS dá a ele esta oportunidade.

Até a próxima oportunidade!!!!





6 comentários:

  1. Homem de múltiplos talentos: além de fotógrafo de primeira, ainda é muito bom como com as palavras. Excelente!

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    1. Grato amigo! Gostei muito de passarinhar contigo. Venha sempre visitar AS BELEZAS DE NOSSO QUINTAL!

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    1. Grato Marcio, falto você nesta passarinhada. Abs!

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  3. Que grande relatório! Parabéns Geancarlo. Foi uma excelente manhã de observação mesmo. Abraço!

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