quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

EXPEDIÇÃO CAMPO GRANDE/MS A RIO NEGRO/MS


Nosso amigo passarinheiro Renato Sproesser tomou uma bela iniciativa e criou um grupo no MSN do Facebook e laçou uma proposta de sairmos de Campo Grande/MS rumo ao município de Rio Negro/MS passarinhado pelo caminho. No grupo estávamos, além do Renato, o Carlão, Marco Antônio, Marcio, Fabyano e eu.  De pronto todos os “agrupados” por ele aceitaram e começamos a organizar os detalhes da nossa expedição. A primeira tratativa foram as possíveis datas para tão importante acontecimento.
Chegamos ao consenso de que o dia 28 de novembro de 2015 seria ideal, pois todos estaríamos livres e o que é o mais importante para um passarinheiro, com os “alvarás” expedidos pelas respectivas esposas para tal acontecimento.
É importante explicar melhor essa coisa de alvará. No meu caso, minha esposa não gosta de observar aves, ou melhor, não gosta de mato, floresta, dentre outros. Seu perfil é mais para visitações “turísticas urbanas”. Assim sendo, ela não é passarinheira e não possui a propensão e a disposição que nos são características para observar as aves.
Entretanto ela por saber que eu gosto desse movimento, pois é um momento em que eu entro em contato com a natureza e isso além de me relaxar, abrandar o stress do dia a dia, equilibrar e centrar, ela me concede o alvará para ir passarinha com os amigos ou sozinho.
É claro que é preciso primeiro plantar para depois colher, ou seja, você deve realizar algumas ações prévias para facilitar o processo conquista do alvará como lavar a louça sem ela pedir, fazer elogios constantes e verdadeiros, ouvir o que ela tem para diz no final do dia quando você chega do serviço, mesmo que casado e, é claro, sem emitir nenhuma opinião só mencionando ao final que ela tem razão. Vale lembrar que muitas vezes nestes alvarás está implícita a hora de retorno da passarinhada e não devemos ousar ignorar essa clausula, pois ela é importantíssima para você solicitar outro no futuro.
Brincadeiras a parte, porém como diz o velho jargão, toda brincadeira tem um fundo de verdade, vamos ao que interessa: a expedição. Foram inúmeras tratativas, cada um com uma função pré-definida na passarinhada, o Renato e Marcos seriam os motoristas, o Marcio e eu seriamos os “playbackmans”, o Fabyano o avistado “olhos de lince” para encontrar os pássaros no trajeto e o Carlão que levaria o Tereré e o serviria a todos.
A primeira preocupação que apareceu durante a fase de organização foi à previsão climatológica para data que indicava chuva, porém, como só quem sabe do clima é Deus, a previsão mudou de uma hora para outra e isso nos animou para iramos atrás dos lifers. Lá pelas tantas o Carlão informou em nosso grupo que havia perdido o alvará, isso bem próximo da data marcada. Disse que não poderia mais participar da jornada por problemas pessoais, como ele é avô, precisaria levar o neto em um acampamento de Escoteiro, muito louvável por sinal essa justificativa.
Entretanto, como a vontade de passarinhar era tamanha, o Carlão intercedeu ao Santo protetor dos passarinheiros, acredito que seja o São Francisco, por que é único que vejo repleto de bichos e aves em sua imagem, e ele atendeu. A Dona Lilian, como ele mesmo fala, liberou novamente o alvará e ele foi conosco. Graças ao Santo tivemos o Tereré, água gelada e a boa prosa do amigo em nossa expedição.
Marcamos os locais de encontro e tudo ocorreu dentro dos conformes, porém, o despertador do Marco Antonio, não tocou e ele atrasou. Nada que freasse a equipe, pois o Marco falou vão na frente que encontro vocês no caminho. Assim, saímos às seis horas da manhã de Campo Grande, os cinco marmanjos dentro de um carro, nem precisa dizer que estava apertado para quem foi atrás. Nestas horas é vantagem estar um pouco acima do peso, te colocam em consenso no banco da frente ai você pode apreciar melhor a paisagem.
Logo há uns 20 km fizemos nossa primeira parada, o Fabyano “Olhos de Lince”, avistou um João-de-Pau em uma lagoa a beira da estrada e paramos para observá-lo. Nisso apareceu também um Pica-pau-de-banda-branca, um Socozinho, um Caburé, além de Tucano e um casal de Arara-canindé.  Seguimos viagem, porém, sempre atentos para chegada do Marco Antônio e é claro que os mais interessados eram os que estavam apertados no banco de trás.
Seguimos e logo um carro semelhante ao do Marco Antônio nos ultrapassou andando bem depressa, pensamos em dar sinal, entretanto não deu para ver se era ele e, pelo adiantado da hora, achávamos que ele já havia desistido.
Mais a frente na beira da estrada havia um brejo imenso e nosso parceiro “Olhos de Lince” gritou: Curióóóóó, não sei como, mais o Fabyano viu aquele bichinho pequeno, cantando encima de uma palmeira com o carro em movimento.
Paramos e fomos logo registrá-lo, o bicho foi muito camarada, ficou cantando a poucos metros de nós e nos permitiu fazer ótimas imagens e até registrar sua vocalização. Havia também uma fêmea, ouvimos o conto do Caboclinho e eu consegui um lifer fazendo o registro da fêmea do Beija-flor-de-bico-curvo.
A próxima cidade, Corguinho/MS, ainda estava há uns 70 km de onde estávamos e nós sem noção nenhuma de tempo, pois o local estava fantástico, além dos registros já mencionados, ainda havia a Freirinha, Periquito-rei, Chopim-do-brejo, Garça-branca-grande, dentre outras espécies. Lá pelas tantas eu estava junto com o Carlão procurando o Caboclinho, toca o meu celular e era o Marco Antonio perguntando onde nós estávamos. Disse a ele que estávamos há uns 30 km de Campo Grande e ele me disse eu já estou esperando vocês há um tempo aqui em Corguinho.
Avisei os demais e seguimos viagem para encontrá-lo e assim poder acabar com o sofrimento dos apertados do banco de trás. Chegando lá o encontramos e dividimos a equipe em duas, ficando o Renato, Carlão e eu num carro e o Marco, Fabyano e Marcio noutro.
Entramos numa estrada de terra onde havia uma trilha chamada Trilha do Pescador, onde já haviam registros de espécies interessantes como o Uirapuru-laranja, a qual eu já tive a satisfação de vê-lo em minha frente e não consegui registrar por conta do foco lento da máquina superzoom.
Paramos na estrada para ver um Acauã que carregava no bico uma cobra, pois não foi possível registrar, pois outras aves sentindo sua presença em um galho, possivelmente próximo a algum ninho, investiram nele e o espantaram.
Logo apareceu uma espécie que eu ainda não havia observado a Perdiz, que cruzou a estrada nos permitindo registrá-la. Nesse local também fizemos outros registros como o Pula-pula, Martim-pescador-pequeno, Japacanim, Sebinho-de-olho-de-ouro. Avistamos também o Anu-coroca, o Rabo-branco-acanelado e ouvimos a Juriti-gemedeira.
O Uirapuru-laranja não apareceu. Seguimos viagem rumo a Rio Negro e logo chegamos a um local onde o Fabyano avistou um Gavião-caboclo, próximo a uma ponte sobre um riozinho. Registramos o gavião e resolvemos explorar a margem do rio onde registramos o Sabiá-gongá, Soldadinho, Alma-de-gato e a Choca-barrada.
Chegamos a Rio Negro como combinado na hora do almoço e fomos procurar um restaurante. A cidade fica 12 km antes da entrada da BR 419, nossa transpantaneira que liga este município à Aquidauana, passando pelo Pantanal do Rio Negro e Nhecolândia. Almoçamos no único restaurante da cidade que fica num hotel com uma comida caseira muito gostosa. O melhor é que o local ainda aceitava cartão de crédito e débito.
O calor estava insuportável, porém, bravamente seguimos em frente, pois decidimos chegar até a BR 419 e andar um pouco nela, o ideal era se chegássemos até o Corixão, porém, o local distava aproximadamente uns 50 km de onde estávamos.
Andamos uns 5 km e paramos próximo a um alagado onde registramos o bentevizinho-de-asa-ferruginea. Neste momento o tempo virou abruptamente e começou a trovoada, entramos no carro de seguimos caminho de volta para Campo Grande. Decidimos parar novamente no local do Curió, porém até chegarmos lá à chuva caiu bonito, derrubando até granizo.
Mais uma vez o Santo entrou em ação e no local do Curió só tinha uma garoa fina e o bichinho ainda tava lá e disposto a colaborar conosco. Eu que havia lido um artigo do saudoso fotógrafo de natureza Luiz Claudio Marigo onde ele ensinava seu truque proteger o equipamento para fotografar em dias chuvosos, levei um plástico e encapei a câmera o que me possibilitou fazer alguns registros como o Coleiro-do-brejo, Irerê e o Beija-flor-tesoura.

Ali nós tomamos Tereré, conversamos um pouco e logo nos despedimos, pois estávamos a pouco mais de 30 km de Campo Grande e final da tarde chegava. Estávamos certos de ter vivido uma experiência prazerosa e de ter dado boas risadas com os amigos pelo percurso. Foram aproximadamente 85 espécies avistadas durante o percurso.


                 PERDIZ                                               BEIJA-FLOR-DE-BICO-CURVO
Rhynchotus rufescens                                              Polytmus guainumbi

 
       GAVIÃO-CABOCLO                                         GAVIÃO-DE-RABO-BRANCO
 Heterospizias meridionalis                                        Geranoaetus albicaudatus

 
                 ALMA-DE-GATO                                     BENTEVIZINHO-DE-ASA-FERRUGÍNEA
     Piaya cayana                                                 Myiozetetes cayanensis

SEBINHO-DE-OLHO-DE-OURO 
Hemitriccus margaritaceiventer




 


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

PASSARINHADAS REVIGORANTES EM TERENOS-MS

Cabeça-seca – Wood Stork (Mycteria americana) e Colhereiro – Roseate Spoonbill (Platalea ajaja)


Na semana passada recebi a ligação de um grande amigo, amizade esta que venho cultivando graças à observação de aves. Seu nome é Leonardo Duarte, um jurista bem atarefado e, assim como eu, encantado pela natureza em sua forma mais plena. Em sua ligação ele me convida de forma simples: - “Vamos ver os Caboclinhos?”.

Bom isso era uma segunda-feira de uma semana lotada, com um feriado abençoado na sexta-feira. Mas com o Léo é bem assim, outra vez eram aproximadamente 17 horas, eu estava no trabalho e ele me ligou e disse que estava passando às 19 horas para irmos ver a  Coruja-orelhuda - Striped Owl (Asio clamator) que ele havia escutado sua vocalização enquanto caminhava em um bairro de Campo Grande/MS. Fomos ele, Marco Antônio Lemos e eu, veja só o resultado:

Coruja-orelhuda - Striped Owl (Asio clamator)

Falei para ele que só poderia na sexta-feira por conta do feriado do dia do Servidor Público e ele topou. Convidei também o Carlão e o ponto de encontro foi na casa dele. Fomos bem cedinho para Terenos/MS, aonde é possível avistar com facilidade várias espécies de Sporophilas, dentre elas algumas de Caboclinhos. Ele me disse com sua peculiar emoção ao se reportar a natureza: -“Vamos que eu tô com saudade dos Caboclinhos”!

Foi muito legal, como o Léo estava bastante atarefado em seu escritório só pode ficar conosco uma hora e meia, porém, foi o suficiente para vermos algumas das espécies de caboclinhos que convivem por lá e ainda batermos mais um lifer ele e eu, o Caboclinho-de-papo-escuro - Dark-throated Seedeater (S. ruficollis). Eu ainda consegui mais um o Irré – Swainson´s Flycatcher (Myiarchus swainsoni).


Caboclinho-de-papo-escuro - Dark-throated Seedeater (S. ruficollis)

Observamos também o Caboclinho-de-barriga-vermelha – Tawny-beliied Seedeater (S. Hypoxantha) e também a variação Uruguaya desta espécie, o Caboclinho-de-chapéu-cinzento – Chestnut Seedeater (S. cinnamomea), o Caboclinho –  Copper Seedeater (S. bouvreuil); o Caboclinho-branco – Pearly-beliied Seedeater (S. pileata), o Caboclinho-de-papo-branco – Marsh Seedeater (S. palustres), o Coleirinho – Double-collared Seedeater (S. caerulescens), dentre outras espécies.

Foi uma ótima manhã com aves, amigos, boas conversas e um gelado Tereré que não falta quando o Carlão tá no grupo.

No outro dia fomos novamente para Terenos/MS em um grupo maior, onde estávamos o Victor Nascimento (Vitinho), Helder Brandão, Renato Sproesser, Carlos Iracy (Carlão), Fabyano Costa e eu. Iria também o Márcio Cavalheiro mais ele ficou com medo da chuva (kkkk), brincadeira Marcião!


Caboclinho-de-barriga-vermelha – Tawny-beliied Seedeater (S. Hypoxantha)

A missão era ver os caboclinhos e o Galito – Cock-tailed Tyrant (Alectrurus tricolor), esse ultimo que não apareceu. Entretanto, tivemos um verdadeiro show da Saña-carijo – Ash-throated Cracke (Porzana albicollis), que não se fez de tímida e até acasalou em nossa presença.

Outra ave que há algum tempo eu vinha procurando apareceu por lá o Filipe – Bran-colored Flycatcher (Myiophobus fasciatus). Esse foi meu lifer do dia. Avistamos também o Encontro – Variable Oriole (Icterus pyrrhopterus), a Guaracava-grande – Large Elaenia (Elaenia spectabilis), o Coleiro-do-Brejo – Rusty-collared Seedeater (Sporophila collaris) e todos os sporophilas mencionados acima, o Pato-do-mato – Muscovy Duck (Cairina moschata) , o Tipio – Grassland Yellow-finch (Sicalis luteola) e um bando de aves pernaltas composto por Garça-branca-grande –  Great Egret (Ardea alba), Cabeça-seca – Wood Stork (Mycteria americana) e Colhereiro – Roseate Spoonbill (Platalea ajaja), dentre outras aves.


Saña-carijo – Ash-throated Cracke (Porzana albicollis)


Para mim o ponto alto, além das Sañas desavergonhadas, foi esse bando de aves pernaltas, foi muito emocionante ver e registrar o voo delas de uma lagoa a outra (foto do inicio). Essas duas passarinhadas para mim foram revigorantes, pois, fazia já algum tempo que não saía com os amigos para uma passarinhada.

Em pé da esquerda para direits (kkk): 
Renato, Fabyano, Geancarlo, Vitinho, Carlão e Helder.
Foto: Victor Nascimento (Vitinho)
Obs: A foto foi tirada pelo mourão da cerca com a máquina do Vitinho (kkkk)


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

PASSARINHANDO NO PARQUE ESTADUAL MATAS DO SEGREDO

 
Na imagem: Carlos Iracy Coelho Netto (Boné creme), Prof. Rudi Laps e a frente de gandola camuflada Fabyano Costa.

No sábado, dia 10 de outubro de 2015, saímos para passarinhar a convite do Guia de Turismo Hiroya Hattori, no Parque Estadual Matas do Segredo-PEMS, um Parque que, assim como o Parque Estadual do Prosa, está localizado na área urbana do município de Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Por conta do clima frio e a garoa poucas pessoas apareceram para o evento, porém, foi muito legal a participação dos amigos Fabyano Costa, Nina Wenóli, Prof. Rudi Laps, Carlos Iracy Coelho Netto, Hiroya e eu.

O local é bem interessante, como mais de 170 hectares de Cerrado e Cerradão bem conservados, no local se encontra a nascente do Córrego Segredo que, assim como o Córrego Prosa é um dos importantes ícones da história da fundação do município de Campo Grande, pois foi na confluência destes dois córregos que o mineiro José Antonio Pereira, ao desbravar o sul da província de Mato Grosso, fixou sua moradia de onde originou a cidade que, com a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, tornou-se a sua Capital.

Por mais que vivo em Campo Grande a mais de 20 anos eu ainda não tinha visitado o PEMS. Fiquei muito feliz ao ver toda infraestrutura que o parque possui, com receptivo novo com banheiros, auditórios, equipamentos, estacionamento coberto, dentre outras coisas importantes para o conforto dos visitantes.

Chegamos ao parque bem cedo, então fomos recebidos pelo Agente Patrimonial que foi muito gentil e prestativo e nos pediu para assinarmos o livro de visitação. Seguimos para a área de conservação e logo de chegada fomos recebidos por tizius (Volatinia jacarina) e um casal de Trinca-ferro-verdadeiro (Saltator similis). Uma revoada de Tezourinha (Tyrannus savana), mais de 10 indivíduos em um bando cortaram o céu em busca dos insetos alados que estavam voando aos milhares por conta da chuva, ou seja, um banquete e tanto para aqueles tiranídeos.

Logo quando entramos na trilha mais fechada, com árvores altas típicas de Cerradão, bem fechada e repleta de uma variedade de cipós, o Fabyano, com seu olho aguçado para o movimento das aves, avistou um casal de Choca-do-planalto (Thamnophilus pelzelni), ficamos um tempo observando aquelas aves e fizemos alguns registros. O tempo chuvoso diminui consideravelmente a luminosidade, o que prejudicou um pouco as imagens, porém, os registros ficaram bem legais.

CHOCA-DO-PLANALTO (Thamnophilus pelzelni)

Enquanto estávamos observando um Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que estava dormindo próximo a trilha e quando sentiu nossa presença se embrenhou para dentro da mata, nosso Guia Hiroya, com seu ouvido aguçado, chamour nossa atenção para a presença de um Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus) que estava cantando próximo a borda da trilha, esse foi um dos pontos altos da nossa passarinhada, pois esta ave é bem difícil de ser avistada pelo fato de gostar de ficar em vegetação densa o que dificulta a observação, porém, eu procurei e a encontrei pousada a pouco mais de três metros de onde estávamos, foi possível o registro fotográfico e também sonoro. O mais importante é que ficou nítido pelas vocalizações que haviam mais de um no local e por duas vezes um indivíduo passou voando por cima de onde estávamos, bem próximo de nossas cabeças.

PEIXE-FRITO-PAVONINO (Dromococcyx pavoninus)

Outra presença constante foi a do Jaó (Crypturellus undulatus), o bicho mais fantasmagórico da mata, pois estava por todos os lados e só ouvíamos seu canto que parece com “eu sou jaóóó”. Infelizmente ele não foi sociável e não apareceu para ser fotografado.

Seguindo a trilha e se aproximando dos cursos d’água, foi a vez dos Soldadinhos (Antilophia galeata) aparecerem e fazerem algazarra. Só avistamos fêmeas e um macho jovem, ainda com a plumagem verde com seu topete “avermelhando”.

Durante o percurso, além de aves, fiz registro de fungos, líquens, insetos e outros aspectos da vegetação local que é bem importante para ciência, visto que o Prof. Rudi Laps, professor e pesquisador do curso de mestrado em ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, parecia uma criança num Playground, maravilhado com o que via e nos dando verdadeiras aulas a respeito da fauna e da flora do local.  Um ponto alto destas aulas foi quando ele encontrou um besouro que, no meu entendimento das explicações dadas a respeito daquela espécie, se disfarça de formiga.

 

 


Pegadas, estrume, sementes, folhas e frutos tudo era motivo de pararmos e consultarmos nosso amigo Rudi, o Carlão disse que estava ficando com receio de ele cobrar uma diária de cada um de nós, pois, já estávamos aproveitando. Brincadeiras a parte, conforme fomos seguindo fomos nos deparando com algumas espécies de sabiás (Turdídeos), beija-flores, em especial o Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) e o Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), um casal da linda Saíra-beija-flor (Cyanerpes cyaneus), um casal de Pipira-preta (Tachyphonus rufus), dentre outras aves lindas e importantes sinalizadores da eficiência do parque no seu propósito de conservação.

Próximo de sair da trilha fecha apareceu um Pula-pula (Basileuterus culicivorus), com um comportamento bastante estranho, andando com as asas abertas, com pulinhos curtos pela serrapilheira, de inicio pensou se tratar de um jovem que tinha caído do ninho, porém a Nina e o Fabyano persistiram em fotografa-lo e vimos que se tratava de um indivíduo adulto. Logo mais na frente, já fora da trilha fechada e andando pela estrada de apoio do parque, apareceu outra espécie com o mesmo comportamento, um Canário-do-mato (Myiothlypis flaveola), esse eu registrei e também se tratava de um adulto. Logo avistamos um Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) pousado numa árvore próximo ao local, pensamos se tratar de que aquele comportamento estava relacionado à presença do predador, porém, não podemos afirmar nada.

CANÁRIO-DO-MATO (Myiothlypis flaveola) - Comportamento observado no Basileuterus culicivorus e neste Myiothlypis flaveola.

Seguindo na estrada, veio outro ponto alto da passarinhada, vimos de longe um casal que estava se alimentando de insetos voadores que eles pegavam no voo e voltavam para o mesmo poleiro. Podemos chegar bem próximo e um voou para dentro da mata e o outro ficou e posou para as fotos, se tratava de uma Guaracavuçu (Cnemotriccus fuscatus), para mim foi o lifer do dia, acredito que para outros ali também.

GUARACAVUÇU (Cnemotriccus fuscatus)

Chegando ao receptivo nos despedimos e ficou o gostinho de quero mais em todos nós, pois o parque é um local especial para observação de aves em Campo Grande. Fica dica para minha amiga, a competente e simpática, Ana Bergler, chefe do PEMS. Esta atividade está sendo utilizada por diversos parques nacionais como forma de captação de renda para a manutenção dos mesmos e a qualidade da avifauna do PEMS dá a ele esta oportunidade.

Até a próxima oportunidade!!!!





quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Comportamentos das Aves...

O voo...


O pouso...



O banho...


O caminhar...


O olhar...


O acasalamento...




A alimentação...




O beijo...




O grupo...




A precisão...



O carinho...




GEANCARLO MERIGHI

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

APONTAMENTOS A RESPEITO DO PERFIL DO OBSERVADOR DE AVES

Desde quando iniciei a observar aves meu interesse por conhecer esta atividade se deu em todos os sentidos, não somente como um hobby, como é para muitas pessoas, mas percebi um vasto campo de oportunidades que vão desde benefícios físicos e intelectuais, até mesmo, numa ocupação formal e próspera.

Para muitas pessoas, algumas eu conheço e tenho a satisfação de tê-las como amigos e companheiros de observação de aves, esta prática surgiu como uma “luz no fim do túnel”, pois sofriam como algum problema como solidão, desentendimentos familiares, estima baixa, depressão, dentre outros que comumente se escuta falarem na atualidade.

Fico feliz quando sinto vibrar o aparelho celular ou leio um post na pagina do grupo com uma mensagem dizendo: “Partiu passarinhar, quem topa?”, “Bora passarinha?”, “Buritizal as 15h30, quem topa?”, bem como outros que não possuem os mesmos problemas acima citados e escrevem: “Indo passarinha, se tiver mais um comigo são dois”. O que é possível perceber é que esta atividade vem proporcionando uma melhora sensível na qualidade de vida dos praticantes, fruto de uma mescla de fatores que a observação de aves reúne, como o afloramento da inter-relação e da interdependência do homem com a natureza, proporcionando um resgate e a reconexão do Ser Humano com suas raízes bem como a interação entre os indivíduos de um grupo, gerando as afinidades, amizades, confiança, segurança, ou seja, a fraternidade.

A observação de aves vem ganhando, no Brasil e no mundo, cada vez mais adeptos. Um termômetro deste crescimento é a quantidade existente de Clube de Observadores de Aves, os famosos COAs. Numa pesquisa rápida pelos principais sites de observação de aves nacionais, observou-se a existência de mais de trinta COAs no país, sendo que a região sudeste é a campeã com aproximadamente 46% deles, seguida pelas regiões Sul e Centro-oeste com respetivamente 21% e 20%, como mostra o gráfico abaixo.

GRÁFICO 01 – CLUBES DE OBSERVADORES DE AVES NO BRASIL
Fonte: Diversos sites das internet que tratam de observação de aves (2015). Adaptado por Merighi (2015).

O interesse pelas aves também ocorre por parte de quem não sai a campo para observá-las, sendo este um grupo crescente e relevante, visto que muitas pessoas hoje se intitulam “passarinheiros da internet”, os quais visitam os sites e blogs especializados neste setor, bem como as paginas especializadas nas redes sociais em seus momentos de lazer e entretenimento. Um exemplo interessante é o COACGR – Clube de Observadores de Aves de Campo Grande/MS, que, quando iniciou possuía pouco mais de trinta integrantes, todos ávidos por ir a campo observar e registrar aves e hoje, em sua pagina no facebook, possui mais de oitocentos integrantes, entretanto, somente os primeiros continuam passarinhando a campo.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério do Comercio Exterior y Turismo do Peru que resultou na publicação intitulada “O Perfil del Observador de Aves – El Turismo em Cifras” de 2014, identificou que no mundo existem em torno de 9,2 milhões de pessoas que são integrantes de associações de observadores de aves, classificou-os em três classes distintas, sendo a primeira a dos “Hardcore”, grosso modo “Especializados”, aqueles que em suas viagens se dedicam exclusivamente a observação de aves. São altamente especializados, ficam em torno de vinte dias no local observando aves e seu gasto médio diário gira em torno de U$ 160,00 dólares. A maioria são homens na faixa etária entre os 36 a 50 anos.

A outra classe é a dos “Softcore”, ou seja, um nicho um pouco mais “light” ou um pouco menos especializado, que em suas viagens dedicam em torno de 40% de seu tempo a observação de aves e o restante às outras atividades e segmentos que o local oferece. Semelhante à classe dos hardcore, na maior são homens e costumam ficar até dezoito dias no local gastando em média U$ 155,00 dólares por dia.

A terceira classificação são os “Ocasionales”, sendo aqueles que em suas viagens dedicam menos de 40% para observar aves. Estes também compõem um nicho bastante interessante do ponto de vista turístico, pois são pessoas que chegam a ficar em torno de vinte e cinco dias no local visitado e seu gasto médio diário gira em torno de U$ 96,00. Este grupo apresenta um número maior de mulheres integrantes e também são, na maioria, mais jovens que os das outras duas classes. O gráfico abaixo mostra a proporção existente nas três classes.

Outro dia, resolvi que precisava conhecer mais a respeito desta vasta atividade e de quem as pratica, então, utilizando os recursos existentes hoje na internet elaborei uma pesquisa virtual utilizando o Google Formulários bem como o Facebook para divulgação. O objetivo foi de conhecer melhor o perfil das pessoas que praticam a observação de aves.

Conseguiu-se um numero considerável de respostas, contando com a participação de pessoas, em sua maioria na faixa etária entre 40 a 50 anos que iniciaram a observar aves por gostarem da natureza, para ter um hobby, por influencia de parentes e amigos, por amor e trabalhar com atividades afins a natureza, dentre outros motivos.

Em sua maioria, essas pessoas já vêm observando as aves a mais de quatro anos, o que demonstra uma experiência no assunto, visto que para observar aves o praticante tem que ter a “veia” de pesquisador a partir do momento que não basta registrar, é preciso também identificar e conhecer a respeito do comportamento da ave, seu canto, suas cores e outras infinidade de interações que existem entre o bicho e o ecossistema. Os participantes também responderam que consideram como alguns benefícios intelectuais que podem ser obtidos com essa prática o conhecimento sobre a natureza e sua conservação, a respeito das técnicas de fotografia, gravação e filmagem, dentre outros.

Para esses observadores a simples observação é importante, porém, o registro com qualidade também, já a maioria têm o habito de, após as atividades de observação e registro, identificar, catalogar, colecionar e publicar suas imagens em redes sociais, blogs próprios e sites especializados. Outro aspecto interessante é o fato de estes observadores não registrarem somente aves em suas saídas a campo, colecionando também registros de insetos, flores, dentre outros.

Boa parte respondeu que gosta de observar as aves sozinho e também em grupo, o que foi confirmado quando a maioria respondeu que pertence a algum tipo de grupo, clube ou agremiação com esta finalidade. Os locais de observação que mais interessam e motivam as viagens dos observadores é o Pantanal, a Floresta Amazônica, a Caatinga, a Lagoa do Peixe-RS, Nova Guiné, a Chapada Diamantina, a Mata Atlântica, Colômbia, Galápagos, Parque Nacional das Emas, Equador, África, América Central, estando entre os mais citados, Pantanal, Floresta Amazônica e Mata Atlântica.

Uma característica interessante é que os passarinheiros podem ser considerados um público com alta qualidade de consumo, pois viajam em busca de observar aves em locais e biomas diferentes do seu local de residência fixa, contribuindo assim, de forma significativa com o incremento do orçamento dos locais visitado, buscando e pagando o necessário para desfrutarem de equipamentos de hospedagem, alimentação e transporte de qualidade bem como serviços especializados, como é o caso do serviço de Guia de Observação de Aves, considerado por mais de 90% dos participantes da pesquisa como importante.

Na opinião deles, esse profissional deve reunir algumas características fundamentais para que realize um trabalho satisfatório. Algumas são básicas como o conhecimento sobre a natureza, a sociedade e a avifauna local, já outras são comportamentais como ser disciplinado, educado, possuir características de liderança, honestidade, boa vontade, bom humor, humildade, empatia, respeito e paciência. A fluência em idiomas, em especial o Inglês e o Espanhol também foi citada como importante, assim como o conhecimento científico, experiência em andar por trilhas e matas.

Dentre alguns conhecimentos mais avançados, sob o ponto de vista da observação de aves, foi citado também como uma característica desejável nos Guia de Observação de Aves a destreza de identificar o canto das aves, plumagens, hábitos, locais e frequência de ocorrência de determinadas espécies, inclusive as migratórias, entre outras particularidades das aves. No que diz respeito ao compromisso com o trabalho algo importante foi mencionado evidenciando que o guia deve ter zelo com os horários combinados. Os participantes entendem também que o guia deve possuir equipamentos e guias com fotos e informações das aves locais para melhor ilustrar as explicações para os leigos.

Concluindo, é inegável que a observação de aves vem crescendo continuamente no Brasil, seja pelo número progressivo de adeptos nacionais, de eventos especializados no setor, do interesse dos estrangeiros em nossa avifauna, de equipamentos e dos profissionais que vêm se especializando para guiar e proporcionar conforto e qualidade aos grupos de passarinheiros que aqui chegam.

Lembrando que o Brasil figura entre os primeiros países no mundo em número de espécies catalogadas e sendo uma quantidade delas endêmicas com certeza essas características nos coloca na pauta de consumo dos observadores mundiais. Isto posto, é preciso se especializar para atendê-los de maneira satisfatória, o que significa encantá-los formatando roteiros, produtos e serviços de qualidade focados no perfil desse público e, com certeza o restante do serviço ficará a cargo da beleza, cores e canto de nossas aves.


GEANCARLO MERIGHI

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE AVES EM MATO GROSSO DO SUL

A “Observação de Aves” ou Birdwatching em inglês pode ser entendida como uma modalidade de ecoturismo que tem como objetivo a observação de aves livres seu habitat natural, a qual, além de favorecer a valorização e conservação da avifauna, é uma forte ferramenta para educação ambiental podendo ser praticada por crianças, adultos e idosos de ambos os gêneros.


Uma pesquisa recente realizada pelo Ministério do Turismo Peruano indica que no mundo 9,7 milhões pessoas são membros de organizações de observadores de aves e sete delas reúnem 98% desse público (Figura 01). Interessante também é que desses, em torno de 6,2 milhões tem predisposição de viajar para fora de seu país para observar aves e 2,4 milhões tem vontade de visitar o Peru para realizar observações de aves. Considerando que o potencial peruano possui semelhança aos nacionais, podemos considerar esse público para direcionarmos nossos esforços de captação.



FIGURA 01: ORGANIZAÇÕES DE OBSERVADORES DE AVES

Fonte: Perfil do Observador de Aves (El Turismo en Cifras) – 2013 – PromPerú – Ministério do Comercio Exterior y Turismo do Peru.

Pede-se notar na figura acima que, do publico total identificado, 50% são norte americanos. Em 2006, o Governo Norte Americano estimou uma movimentação anual de 80 bilhões de Dólares através da atividade de observação de aves, bem como que, naquela época, estimava-se em 48 milhões o número de praticantes naquele país. É sabido que a observação de aves é uma atividade altamente difundida por lá e que é uma atividade que as famílias utilizam como lazer e entretenimento, o que pode ser notado até mesmo em literaturas e alguns de seus filmes que são reproduzidos por aqui.

Isso demonstra que os Estados Unidos pode ser uma dos principais países para se investir esforços de promoção visando à atração de observadores de aves para viagens ao Brasil e Mato Grosso do Sul.  No entanto, há de se procurar conhecer mais o perfil deste público para que possamos entender melhor o que eles querem e necessitam em suas visitas de observação. Vejo que, guardadas as devidas proporções e diferenças culturais e até mesmo educacionais, acredito que essência do observador de aves se assemelha em todo mundo.

Uma de suas características peculiares é a mesma de um colecionador, ou seja, se eu gosto de observar aves, que ter em minha coleção o maior número de registros possíveis. Enquanto turistas, são considerados de alta qualidade de consumo, ou seja, aqueles que possuem um gasto médio significativo e que causa um impacto positivo nos locais visitados.

A pesquisa peruana apontada anteriormente, indica que os turista observadores de aves mais radicais, ou seja, aqueles que viajam essencialmente para esse fim, chegam a ficar 18 noites no destino e gastam em torno de 3.200 dólares o que dá um gasto médio diário aproximado de 160 dólares por dia. Da mesma maneira, também exigem equipamentos e serviços de qualidade e, aqui não estou falando só do estrangeiro, o público nacional reúne as mesmas características de gasto, motivação e exigências de consumo.

Guias especializados e fluentes em idiomas e conhecedores da avifauna local, hotéis confortáveis, transportes seguros, roteiros pré-definidos, garantia mínima de observação, alimentação saudável e adequada, dentre outras, são algumas das exigências desse público que, altamente especializado, se prepara para visitar um determinado local e chegam sabendo o que querem ver e consumir.

No Brasil, em uma matéria publicada pelo Ministério do Turismo em 2012, estimava-se que naquele ano mais de 30 mil turistas brasileiros e 3 mil estrangeiros já movimentavam esse mercado em nosso país. Na atualidade, de acordo com uma reportagem exibida em neste ano pelo programa “Terra da Gente”, estima-se que esse número de brasileiros praticantes dessa atividade já chega a 50 mil.

O Mato Grosso do Sul (MS) é um Estado brasileiro privilegiado pela sua posição geográfica e pela sua biodiversidade. Situado praticamente no centro da América do Sul, possui em seu território fragmento de três dos seis biomas que ocorrem no Brasil, são eles: Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.  Turisticamente falando, isso favorece o Estado na formulação de produtos turísticos de natureza, em especial o Ecoturismo contemplativo.

Outros fatores importantes a serem considerados e que fortalecem ainda mais o arcabouço de possíveis ofertas turísticas em Mato Grosso do Sul, são sua história e cultura. O Estado foi palco da Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), lar de uma das maiores nações indígena do país, a Guaicuru, foi colonizado por diversos povos, entre eles os Gaúchos, Portugueses, Mineiros, dentre outros que, juntamente com os vizinhos sul-americanos Paraguai e Bolívia, promovem uma explosão cultural miscigenada que se retrata nas danças, músicas, gastronomia, artes, artesanatos, etc.

Entretanto, pouco desse potencial tem sido explorado turisticamente e, atualmente, contamos com apenas uma Rota consolidada, a “Rota Pantanal Bonito”, que reúne em seus roteiros as belezas naturais e culturais da Serra da Bodoquena, tendo sua expressão no município de Bonito, com suas águas cristalinas que promovem um verdadeiro espetáculo de contemplação e imersão na natureza, bem como, a região do Pantanal, representada principalmente pela Estada Parque Pantanal Sul, situada em Corumbá onde natureza e cultura se misturam promovendo uma experiência inesquecível aos seus turistas.  

Esta rota se desenvolve em apenas oito dos 79 municípios do Estado e, nesses demais municípios, existe um grande potencial a ser desenvolvido e explorado, capaz de fortalecer o produto turístico estadual e torna-lo mais competitivo em nível nacional e internacional.

A pesar de o turismo de observação de aves ainda ser incipiente, é indiscutível a qualidade da nossa avifauna. No Brasil, existe catalogadas mais de 1.900 espécies de aves, o que nos torna o segundo país em número de espécies no mundo, ficando atrás apenas da Colômbia. Em Mato Grosso do Sul, existem estudos que indicam que contamos com mais 600 espécies registradas, sendo que, somente na região pantaneira é possível existir mais de 1.000 espécies diferentes, ou seja, muito ainda a ser registrado e catalogado.


Em 2013, foi lançado pelo Governo do Estado o primeiro encarte promocional do visando motivar turistas a vir observar aves em nosso território (Figura 02). Nele, ressaltam-se na região da Serra da Bodoquena os municípios de Bonito, Jardim e Bodoquena, na região pantaneira os municípios de Miranda, Corumbá e Ladário, na região central a Capital Campo Grande e na região norte o município de Alcinópolis e Costa Rica.

 FIGURA 02: MATO GROSSO DO SUL – OBSERVAÇÃO DE PÁSSAROS
 Fonte: Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul - 2013

Esses municípios realmente contam com algum tipo de iniciativa nessa modalidade de ecoturismo, sobressaindo Bonito, onde há uma mescla de imersão da natureza e contemplação de fauna e flora. Neste município já existem alguns, porém ainda poucos equipamentos e serviços especializados em observação de aves. No entanto, o que vem acontecendo é que outros prestadores de serviços que anteriormente se dedicavam essencialmente à visitação dos atrativos consolidados do município estão diversificando sua matriz de possibilidades e colocando em suas prateleiras a observação de aves como um novo produto.

Em Jardim encontra-se um local privilegiado, uma dolina que fica em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, um local que vem se tornando ponto obrigatório para os observadores de aves que aqui chegam, pela possibilidade que o relevo oferece de observar e registrar as Araras-vermelhas-grandes (Ara chloropterus) e outras aves pousadas ou em voo em um ângulo que permite registrar dorso da ave.

Bodoquena é onde existe a maior incidência do Gavião Real (Harpia harpyja), sonho de consumo, no bom sentido é claro, de quase cem por cento dos observadores de aves por se tratar da maior ave de rapina no Brasil. Na região pantaneira, compreendendo Corumbá e Miranda, existe uma explosão de aves de diversas espécies, grandes, pequenas, coloridas, rapinantes, pernaltas, com destaque para o Tuiuiú, a maior ave pernalta do Brasil e símbolo do pantanal sul-mato-grossense.

A Capital começou a despontar como um possível destino de observação de aves a partir de 2012, quando começou a se se formar os primeiros grupos para observação de aves no município e culminou na cria do Clube de Observadores de Aves de Campo Grande – COACGR. Naquela época, havia registrados no WikiAves, um dos principais sites de postagens de observação de aves do Brasil, pouco mais de 70 espécie. Hoje, como o trabalho realizado pelos observadores de aves locais, esse número já passa de 300 espécies.

Alcinópolis e Costa Rica se destacam pela proximidade do Parque Nacional das Emas, onde é possível observar espécies raras, vulneráveis e ameaçadas que constam na Lista Vermelha, como o Bacurau-de-rabo-branco (Hydropsalis candicans), o Galito (Alectrurus tricolor).

Outros municípios também despontam com produtos a oferecer e registros de espécies como Aquidauana, onde já existem pousadas pantaneiras com produtos específicos e guias especializados e Terenos, onde os Galitos (Alectrurus tricolor) e uma diversidade de Sporophilas sp. convivem harmoniosamente em determinados locais.

Outras possibilidades se despontam, como é o caso dos parques estaduais que já vislumbram nessa atividade uma forma de renda para o parque poder cumprir com seu dever de ser um ambiente de educação ambiental e de conservação do patrimônio natural, desta maneira, muito ainda há de ser explorado, catalogado e trabalhado em nosso Estado para adentrar mais profundamente nesta modalidade de ecoturismo. Não resta dúvida, a olhar pelos poucos produtos que temos e o número crescente de visitantes que aqui chegam com o propósito de observar aves que, em breve e com investimento público e privado, seremos um dos expoentes no Turismo de Observação de Aves do Brasil.

GEANCARLO MERIGHI