terça-feira, 28 de novembro de 2017

PORTO MURTINHO-MS: PASSARINHANDO NO CHACO BRASILEIRO


Fim de tarde no Rio Paraguai - Porto Murtinho/MS

O município de Porto Murtinho está localizado na porção Sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul e faz fronteira com o Paraguai. Seu território contempla dois dos três biomas oficiais brasileiros que acontecem no Estado, o Cerrado e o Pantanal e o município é banhado pelas águas do Rio Paraguai e diversos de seus afluentes, com destaque para o Rio Apa.

                                                                         Flor de Tuna - Vegetação típica do Chaco

Neste município existe uma porção do Chaco ou “Chaco Paraguaio”, que se estende desde o Rio Pilcomayo, fronteira do Paraguai com a Argentina, e o Rio Paraguai e Foz do Rio Apa, na fronteira do Paraguai com o Brasil, fazendo fronteira ao norte com a Bolívia. Em suas características possui solos salinos, grande variedade de fauna e flora.


Com um clima predominantemente semiárido a região do Chaco é pouco povoada e, no Paraguai abrange três departamentos, o de Boquerón, o de Alto Paraguai e de Presidente Hayes. Em seu contexto histórico foi palco da mais longa guerra que ocorreu na América do Sul, conhecida como “Guerra do Chaco”, entre o Paraguai e a Bolívia.

Estive em Porto Murtinho para participar como palestrante e representante da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul no Seminário sobre Turismo de Observação de Aves – Porto Murtinho e o Turismo Sustentável, juntamente com outras pessoas dedicadas a esta temática como Guto Carvalho (Avistar/Brasil), Maristela Benites e Simone Mamede (Instituto Mamede), Victor Nascimento (Vitinho Guia) e o fotografo Bolívar Porto (Fundtur/MS).

Isla Margarita - Território paraguaio

O evento teve como objetivo principal levar ao conhecimento do trade turístico e comunidade local a possibilidade do Turismo de Observação de Aves no Município, visto que é uma região única no Brasil por conta do Chaco e com espécies que somente ali predominam.

Nos intervalos aconteceram saídas de campo para observação de aves com a participação da comunidade e do trade, bem como, dos representantes do Paraguai que participaram do evento. Nestas saídas foi possível identificar a grande potencialidade existente no município com uma diversidade de aves bem como a facilidade de avistamento.

Casl de Biguás voando sobre o Rio Paraguai no amanhecer

A coruja Nhacurutu, nome popular local da espécie Bubo virginianus, foi avistada por nós a poucos metros do centro da cidade, assim como o Caneleiro-verde, o Pica-pau-de-testa-branca, a Peitica-de-chapéu-preto, a Andorinha-do-campo, o Encontro, o Sebinho-de-olho-de-ouro, o Caburé, o Varapau-de-cerrado, o Bigodinho, a Gralha-picaça, o Príncipe-negro, o Bem-te-vi-rajado, o Tico-tico, o Biguá, o Talha-mar, o Carancho, dentre outros.
                                   Peitica-de-chapéu-preto                                     Pica-pau-de-testa-branca
 
                                          Sebinho-de-olho-de-ouro                                 Tico-tico
 

Outra coisa bem interessante foi conhecer um pouco do cotidiano de uma cidade que ainda fecha seu comércio para almoçar e reabre depois da Sesta, nome dado ao breve cochilo após o almoço.

Como já mencionado a cidade banhada pelas águas do Rio Paraguai e fronteira com o Paraguai (Isla Margarita). Todos os dias essas “Chalanas”, como são chamados pelos moradores locais os barcos pequenos movidos a remo e as “Voadeiras”, como chamam os barcos a motor, atravessam diversas vezes o rio para levar pessoas adultas e crianças de um país para o outro. 

Chalana cruzando o Rio Paraguai

Voadeiras transportando alunos e outros utensílios das famílias

As crianças descendentes dos paraguaios que estudam na Isla Margarita, esperam no embarcadouro do dique para poderem atravessar o rio e estudar na escola paraguaia. Os filhos dos nossos vizinhos também cruzam o rio para estudar nas escolas brasileiras. 

         O pequeno Davi é um estudante descendente de paraguaios que mora em Porto Murtinho e estuda na Isla Margarita. Quando lhe pedi para fotografá-lo, de pronto ele autorizou e sorriu para a foto. Todos os dias ele espera seu transporte para cruzar o rio e estudar. Acredito que seja uma maneira que os seus pais encontraram para manter sua cultura viva em seus descendentes. Durante o pouco tempo que fiquei por perto de um grupo de estudantes onde ele se encontrava, percebi que falavam oscilando entre o Português, o Castelhano e o Guarani, essas duas ultimas são as línguas oficiais do Paraguai.

Davi e seus amigos aguardando seu transporte para estudar


Quando forem a Porto Murtinho, se quiser conhecer a Isla Margarita e o pequeno comércio que lá existe é só negociar com um “chalaneiro” para atravessar o Rio Paraguai, não custa caro e é uma ótima experiência. 



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